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18 de jan de 2009

A dindinha vai se casar


Meninos! Acabei de falar com a vovó no telefone e tenho duas novidades para contar para vocês. Falei eu entusiasmada. Afinal, não é todo dia que desligamos o telefone tendo novidades para contar. Em geral, a conversa com a mamãe é quase sempre rotineira: reclamamos da falta de tempo para fazermos tudo que planejamos; passamos em pauta a situação de saúde de todos da família; conto a ela as últimas que os meninos aprontaram na escola, no treino de futebol, ou no curso de português; comentamos sobre alguém da família ou de nosso círculo de amizade que tenha nos contatado ou visitado; e para finalizar fazemos planos do que fazer juntas da próxima vez que nos reencontrarmos. Pois então, o entusiasmo se explicava pelo fato de ter novidades para contar para as crianças. E que novidades!

O que é mãe? Fala logo! – Markus parecia já bem curioso. Ok! A primeira novidade é que a Floquinha e o Branquinho vão ter bebês!

Como assim mãe? – pergunta Lukas. ao desprender os olhos do desenho animado que passava na televisão, também já curioso com o assunto.

Bem, a vovó falou que eles estão dentro do puleirinho da gaiola já há vários dias, chocando os ovinhos que a Floquinha colocou. Eles só saem de lá para pegar comida e tomar banho, sempre um de cada vez. Mesmo antes que eles perguntassem, percibi o ar de dúvida e expliquei o que “chocar os ovos” queria dizer. Quase sempre eu superestimo o conhecimento de vocabulário em português dos dois.

E quando eles vão nascer?A vovó leu na internet que vai demorar uns trinta dias para os passarinhos bebêzinhos nascerem. Legal, não? – Eles concordaram e começaram a imaginar a hora de estarem no Rio com a vovó de férias, para conhecerem os novos habitantes da gaiola e ajudarem a alimentá-los. Branquinho e Floquinha moravam num viveiro de uns três metros de largura construído numa parede do quintal da casa do meu irmão, até o dia em que fomos lá visitá-los. Os meninos se apaixonaram por todos os passarinhos. Eram mais de dez, de várias côres, espécies e tamanhos diferentes. Voavam e cantavam sem parar. Tio Wag resolveu então presentear seus sobrinhos com alguns passarinhos. Mamãe apavorou-se com a idéia, pois no fundo sabia que os passarinhos ficariam em seu apartamento, mesmo depois que voltássemos para casa quando as férias acabassem. Ela tinha certeza que não teria coragem de devolvê-los. “Só podemos levar no máximo dois! Vou colocá-los na área de serviço e lá já temos o tanque, a máquina de lavar, a mesinha, a lata de lixo, o varal… enfim, só sobra espaço para uma gaiolinha”, disse ela já super ansiosa com a situação. Bem, melhor do que nada, pensaram os meninos, escolhendo já mais do que depressa os passarinhos que iriam ganhar. Escolheram um macho de côr branca e uma fêmea rajada em tons de banco, cinza, marrom e preto. Isto explica então os nomes: Branquinho e Floquinha. Eu assumo que Floquinha foi uma adaptação dada por eles da palavra “Fleck”, que em alemão significa mancha. Mas não posso garantir, pois nunca me certifiquei com eles sobre isso. Achei os nomes bem bonitinhos e combinando com os novos moradores do apartamento da vovó.

Mãe, você disse que eram duas novidades. Qual é a segunda? – pergunta Markus, analíticamente como um bom neto de professor de matemática.

Ah hah!… A outra novidade é que a dindinha Dê vai se casar!

De verdade? - perguntou Lukas surpreso – Com o Fantoja? - Não adiantava que ele não conseguia falar o nome dele direito! Eu tinha sempre que corrigir! – Sim, lógico que com ele! Com quem mais poderia ser? Legal, né? – Hum hum! – confirmaram – Vai ter festa? – na verdade esta também tinha sido a minha pergunta à mamãe, quando fiquei sabendo do casamento - Por hora não, eles vão se casar no cartório, quero dizer só no documento, e depois quando nós estivermos lá de férias no verão comemoramos todos juntos!

Dê é minha irmã do meio. Seu então futuro marido é amigo nosso já há vários anos. Trabalhamos todos juntos no instituto de onde saí para estudar fora. Todos dois já passaram por longos primeiros casamentos. Não são mais marinheiros de primeira viagem. Eu só fiquei sabendo que eles estavam namorando muito tempo depois que todos, ou quase todos, os nossos amigos em comum já sabiam. Acredito que, crítica da maneira que ela é, a Dê pensou que eu poderia talvez criticá-la (?!?) pelo fato de ter se apaixonado por um de nossos amigos de trabalho. Pudera!

Lógico que fiquei um pouquinho chateada, por não ter sido a primeira a saber do namoro. Mas, por outro lado, minha irmã me conhece bem e sabia que eu não conseguiria ficar de boca calada. Mamãe seria informada a respeito no momento seguinte, obviamente sob promessas de não comentar com ninguém! Na verdade, acho que minha irmã nunca me perdoou pelo fato de tê-la caguetado uma vez, ainda quando éramos adolescentes. Cheguei em casa do curso de inglês e contei para mamãe que havia visto a Dê com um cigarro aceso na mão, dentro do banheiro do curso. Foi verdade. Não menti. Mas, lógico que a versão dela foi outra: “Mãe, eu estava segurando o cigarro da minha amiga enquanto ela entrou para fazer xixi!” A questão nunca foi esclarecida até o final. A dúvida ainda deve existir até hoje para mamãe, só que agora com outros valores e sem mais o teor de responsabilidade de antes. De qualquer forma, o fato foi que naquele dia eu perdi a oportunidade de ser sua cúmplice – talvez porque não estivesse interessada na época em dar uma tragadinha – e a traí… Por isso eu compreendi a sua decisão e não reclamei.

Confesso ter sido desconcertante para mim, chegar ao Rio uma vez de férias e de repente ter que tratá-lo como o novo parceiro de minha irmã. Afinal ele era o amigo dos cafézinhos de depois do expediente, naquele botequim da esquina da Tijuca, onde sempre ficávamos por meia hora ou mais para continuarmos os assuntos sobre trabalho: hierarquia, burocracia, projetos, desempenhos, novidades (para não dizer fofocas), etc. E também sobre todo o resto que incluia desde problemas familiares até decisões importantes, como a escolha da universidade no exterior, ou coisas mais banais como a compra de um sapato novo. Agora aquele que também havia sido meu co-orientador de tese de mestrado, passaria a ser meu cunhado. That’s life! Isto me faz lembrar o caso de uma amiga italiana, que apesar de eu de modo algum compartilhar com ela do mesmo sentimento negativo de seu caso, este me ocorreu agora. A minha amiga cursava o colegial e detestava o inspetor de sua escola. Não só ela, como seus muitos irmãos também. Um belo dia, sua mãe – já viúva há vários anos – chega em casa acompanhada e diz: “Crianças, eu quero apresentar a vocês o meu namorado, que a partir de hoje vai morar também aqui em nossa casa…” Advinhem quem era… Ele mesmo: o abominável inspetor da escola!

Mas para quê que eles vão se casar? Eles poderiam simplesmente fazer uma festa, morar juntos e evitar todas as complicações burocráticas! Falei ao telefone com a mamãe naquele dia. Ela, por sua vez também não sabia explicar – Você sabe como ele é! Todo certinho e formal. Quer fazer tudo como manda o figurino. Imagine só que sua irmã disse a ele aqui em casa, que está em fase de provas no doutorado e se o cartório marcar o casamento para uma quarta-feira, ela talvez não possa ir…. Demos uma boa gargalhada juntas dos dois lados do telefone e concordamos: Só poderia ser a Dê mesmo!

Eu já me preparava para continuar planejando a festa que organizaríamos no Rio para todos os nossos amigos, super animada com a idéia (férias, casamento, festa, amigos: que máximo!), quando fui interrompida pelo Markus: “Temos de pensar em novos nomes para os passarinhos bebês!” Foi então que percebi que para um menino de sua idade, o fato de ganhar novos passarinhos era muito mais interessante e importante do que um casamento na família… Acho que consigo entendê-lo. Talvez se ele fosse menina, se animasse mais com a ideia de comemorar o casamento da dinda.

Quanto aos passarinhos bebês, eles já saíram do ninho. São cinco ao todo e têm cores variando entre branco neve e marrom rajado com preto. Os nomes escolhidos foram: João, José, Morena, Malhadinho e Fred.

Sobre a explicação para o casamento oficial de minha irmã, tudo ficou muito claro para mim quando falei com o casal de pombinhos por skype no outro dia. Estavam radiantes, felicíssimos com a decisão tomada. Riam a toa. Só pode ser amor! Fico muito feliz por eles! Estou torcendo para que o cartório não marque o casamento numa quarta-feira…

texto original escrito em 06/05/2007

10 comentários:

Eduardo P.L disse...

Fatima,

parabéns para sua irmã! Sejam muito felizes!
Obrigado por SEGUIR o VARAL!

Bjs

Fatima Cristina (www.fccdp.com) disse...

Oi Eduardo, Obrigada!
Gosto muito de ler o Varal de Ideias.
Parabéns pelo blog!
Abraços e volte sempre.

Mariza disse...

Oi Fátima, adorei este texto também. Não é para e matar de ciúme,mas devo dizer que fui comuicada do casamento bem antes de vc.Tenho até a foto do dia do "noivado". O casameno não foi em uma quarta-feira, mas foi num dia 06 de junho quando o trânsito parou no Rio de Janeiro.Inesquecível!! Bjs, Mariza

Mariza disse...

Oi Fátima. Adorei o texto. Não é para te matar de ciúmes,mas fui comunicada do casamento antes de vc.Tenho até foto do dia do "noivado". No dia do casamento ( 06 de junho )que não foi na quarta-feira, o trânsito do Rio parou. Inesquecível! Bjs, Mariza

Fatima Cristina (www.fccdp.com) disse...

Oi Mariza!
Sem dúvida você é a número 1!!!
Legal que você gostou dos textos!
Volte sempre! Beijos.

Chica disse...

Muito legal o texto e eu também perguntei pra uma filha minha pra que casar certinho ,rsrs...Casaou e separou e se escabelou da burocracia então...beijos,chica

angela disse...

Gostoso texto.
beijos

Georgia disse...

Fátima, imagino o alvoroco dos meninos com a história da gravidez dos bichinhos.

Felicidades a sua irma, porque casamento hoje tá raro.

Tudo de bom.

Bjao

lis disse...

Suas "releituras" estáo ótimas ,Fátima porque nao daria tempo de voltar lá no seu comecinho , é uma boa pedida
E os passarinhos já nao sao tão bebês assim , nao?
felicidades pra sua irmã querida!
deixo meu abraço e amanhã comemoro o aniversário do blog com mais duas lindas fotos, passa por lá pra deixar seu abraço, quando puder.
beijinhos

Mírian Mondon disse...

Fatima!!! Que bom voltar ao seu blog num momento como esse! Quanta novidade boa. Quer mais bonito do que o amor e o milagre da vida com passarinhos nascendo? =)
Gostei muito do texto, e tambem de ter boas noticias da sua familia.
Parabens por sua irmã e por sua honestidade em tudo que escreve.
Beijos e saudades

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